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Escritórios Virtuais e Globalização (parte I): o abalo do "Escritório Real"

Murilo M. Nogueira

Nesta série de três artigos discutiremos o paradigma do "Escritório Real", o
surgimento do conceito de "Escritório Virtual" e sua disseminação em todo o
mundo, dentro do painel de intensas mudanças políticas e tecnológicas do final do século XX.

Em que você pensa quando lê ou ouve a palavra “empresa”? Talvez em pessoas, máquinas, produtos, serviços, lucro... Certamente, você terá visualizado tudo isso em um ambiente: salas de escritórios, galpões, prédios... Temos como um fato implícito que toda empresa possui um ou mais locais físicos definidos nos quais se desenrolam suas “atividades”.

Esse paradigma não escrito, que aqui chamaremos de “Escritório Real”, se apóia em três conceitos:

1) Toda Empresa tem endereços fixos e permanentes, chamados “sede e filiais”.
2) Todos os funcionários da Empresa devem se deslocar diariamente para esses endereços, onde executam suas tarefas durante um período regular, chamado de “expediente”.
3) Toda a infra-estrutura e recursos necessários às tarefas devem estar disponíveis nesses endereços, todo o tempo.

Assim tem sido desde as guildas medievais, passando pelos empreendimentos comerciais e financeiros da Europa mercantilista, fábricas da Era Industrial, chegando até as modernas empresas do século XX.

Contudo, os acontecimentos dos últimos anos do século passado vieram por em cheque esse paradigma, abalando as estruturas do Escritório Real.

A Nova Ordem Mundial

Entre 1989 e 1993 cai o Muro de Berlim, desaparece a União Soviética, surge a União Européia e os Estados Unidos invadem o Iraque pela primeira vez. Mais do que o fim da Guerra Fria, esses eventos marcam o início de um novo arranjo político mundial, em que os países agem e se relacionam não mais por afinidades ideológicas, mas por interesses comerciais, e em que a importância de uma nação se apóia não tanto na sua força bélica como no seu poderio econômico.

O comércio internacional cresce e a interação cultural aumenta como nunca antes - pela abertura de fronteiras, migração de populações e disseminação de informações facilitada pela Nova Tecnologia de Informação.

A Nova Tecnologia da Informação

Já nos anos 1960, e mais fortemente a partir dos anos 1980, o progresso tecnológico na área da eletrônica digital e telecomunicações (microprocessadores, microcomputadores, fibras ópticas, transmissão digital de dados e voz) alterou dramaticamente a produtividade e métodos de trabalho do escritório convencional. Máquinas de escrever, arquivos de fichas, mimeógrafos, telegramas são exemplos de itens típicos de qualquer escritório há 30 anos, hoje extintos.

Também nos anos 1980 outro fenômeno ganha força e popularidade: a internet (e, mais tarde, a World Wide Web) integra pessoas e instituições de todo o planeta numa grande rede mundial de computadores e documentos, revolucionando os métodos de trabalho, criando novos e mais eficazes meios de interação profissional e troca de informações.

A popularização dos computadores portáteis (laptops ou notebooks) e telefones celulares, por sua vez, conferiu mobilidade ao trabalho, que passou a ser realizado a qualquer hora, em qualquer lugar.

O Novo Mercado Global

As mudanças políticas e o progresso tecnológico colaboraram para criar um mercado único global, altamente competitivo. As empresas agora concorrem não apenas com o vizinho, mas com companhias de países tão distantes quanto China, México e Irlanda.

Também o dinheiro venceu fronteiras. O Euro unifica as moedas da Europa. O dólar se consolida como referência universal e, mais importante, mercados financeiros, bancos e bolsas de valores estão acessíveis a investidores de qualquer lugar do mundo. Milhões de dólares saem de uma aplicação para outra, de um país para outro, em segundos, apertando uma simples tecla de computador. Surgem grandes fortunas e grandes crises mundiais: México, Ásia, Rússia...

E nas empresas, o que mudou?

Quase tudo! Tecnologia, produtos, métodos de trabalho, clientes, fornecedores, concorrentes... Agilidade, flexibilidade e baixo custo passam a ser as palavras-chave.

Tudo passa a ser questionado: é a época da qualidade total, reengenharia, terceirização, just-in-time, benchmarking... Novas palavras com uma coisa em comum: mudança.

Se tudo mudou no Escritório Real, por que não ele próprio? Endereços físicos permanentes, equipes de trabalho com horários fixos, infraestrutura própria, tudo isso significa custos, burocracia, lentidão...

Enquanto caíam muros, fronteiras e paradigmas, os alicerces antigos e sólidos do Escritório Real começaram a apresentar suas primeiras rachaduras.