Escritórios Virtuais e Globalização
(parte II): a força de uma nova idéia
Murilo M. Nogueira
Nesta série de três
artigos discutimos o paradigma do “Escritório
Real”, o surgimento do conceito de “Escritório
Virtual” e sua disseminação
em todo o mundo, dentro do painel de intensas mudanças
políticas e tecnológicas do final
do século XX.
O Novo Mercado Global é rápido
e competitivo. Buscando sobreviver e crescer, empresas
no mundo inteiro experimentam novas tecnologias,
formas de organização e relações
de trabalho.
Em particular, a revolução nas comunicações
e na tecnologia de informação - com
a popularização de celulares, notebooks
e da internet - revolucionou os métodos
de trabalho, permitindo não apenas o aumento
na produtividade, mas na mobilidade dos funcionários.
Não é mais necessário manter
toda uma equipe confinada todo o tempo em um local
físico (o “escritório”)
para que o trabalho possa ser executado. Com um
celular e um computador conectado à internet é possível
resolver grande parte dos problemas da empresa.
Algumas
empresas fazem da internet seu principal meio de negócios. Não apenas as novas empresas “pontocom”,
mas também bancos, redes de varejo e até serviços
públicos migram para a World Wide Web. Balcões
de atendimento, lojas, almoxarifados, arquivos passam a
ter seus equivalentes (e, muitas vezes, seus substitutos)
no ambiente virtual.
A terceirização dos serviços cria
um nicho para empresas e profissionais especializados,
que executam parte das atividades anteriormente verticalizadas
nas grandes empresas. As atividades terceirizadas não
precisam estar fisicamente instaladas junto à empresa
contratante, como ocorre com call-centers, data-centers,
serviços jurídicos, transportes e outras
atividades de apoio típicas.
O que há de comum nos exemplos anteriores?
Cada um dos exemplos acima permite reduzir os custos fixos
da empresa (escritórios, mobiliário, folha
de pagamento etc.) muitas vezes com ganhos de produtividade.
Por outro lado, essas novas formas de fazer negócios
criam um universo de oportunidades para pequenas empresas
e profissionais, que tampouco necessitam de grandes investimentos
em infra-estrutura e pessoal para atenderem seus clientes.
Idealmente, infra-estrutura e pessoal deveriam ser usados
apenas quando necessário - isto é, custo
fixo transformado em custo variável, os gastos proporcionais às
receitas, o ideal de todo o empreendedor...
Escritórios Reais como problema
De um modo geral, o Escritório Real pode significar
custo desnecessário para empresas cujos funcionários:
- têm outras atividades, também em tempo parcial;
- precisam de mobilidade e podem (com celular e laptop)
desenvolver atividades à distância;
- têm clientes que podem ser atendidos “virtualmente”;
- têm clientes dispersos geograficamente.
Escritórios Virtuais como solução
Os Escritórios Virtuais, por sua vez, podem ser
um modo criativo e interessante para reduzir os custos
com infra-estrutura e pessoal, nos casos em que não
se precisa ou não se deseja arcar com esses custos
de forma permanente.
Alguém já os definiu como “hotéis
de empresas” ou “escritórios sob demanda”.
Com a flexibilidade e otimização de custos
que proporcionam, podem conferir agilidade, competitividade
ou mesmo viabilidade a um negócio, em contraponto à estrutura
de um escritório convencional (Escritório
Real).
São potenciais candidatos ao uso de um Escritório
Virtual empresas e profissionais cujas atividades:
- são em parte realizadas junto a clientes (vendedores,
representantes comerciais);
- são em parte realizadas em outro local (advogados,
buffets);
- têm caráter temporário ou eventual
(feiras, eventos, viagens de negócios);
- têm caráter sazonal (produtos ou serviços
para Carnaval, Páscoa, Natal);
- podem ser realizadas em casa (diversos).
A força de uma nova idéia
Os Escritórios Virtuais surgiram dentro da Nova
Economia, como uma das novas formas de negócio viabilizadas
pelos avanços tecnológicos e organizacionais
já citados. As primeiras empresas desse tipo surgiram
no início década de 1990 e, apesar do curto
espaço de tempo, já demonstraram seu potencial
de sucesso, como veremos no terceiro artigo desta série.