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Escritórios Virtuais - artigos

Escritórios Virtuais - artigos - autor

A História do Escritório

Murilo M. Nogueira

People are trapped in history and history is trapped in them. (James Baldwin, poeta norte americano, 1924 - 1987)


Desde a sedentarização do ser humano e o aparecimento das primeiras cidades, por volta de 10.000 a.C., surgiu a necessidade de se agrupar pessoas para a realização de trabalhos intelectualmente mais sofisticados, como os registros de acontecimentos e a contabilização de impostos.

Entretanto, o que parece hoje um modo de organização praticado desde sempre - a reunião de trabalhadores em um mesmo local físico, com mobiliário e material padronizados - foi, na verdade, uma invenção da Revolução Industrial. O modo de trabalho coletivo que surgiu com as grandes cidades antigas, cuja administração exigia um trabalho burocrático centralizado e organizado, modificou-se ao longo das eras, devido às mudanças históricas e tecnológicas que afetavam as sociedades.


O Escritório no Mundo Antigo

O que de mais próximo a um escritório se pode encontrar em civilizações antigas são salas, nos palácios e templos, dedicadas à confecção, manipulação e armazenamento de pergaminhos, papiros e tábuas de argila. Essas tarefas eram realizadas pelos escribas - uma elite de profissionais dedicados à leitura e à escrita. Os pergaminhos usualmente continham registros comerciais, leis, normas e regulamentos - isto é, conteúdo administrativo e não literário ou artístico, como muitas vezes se pensa.


escribas

Os romanos, grandes administradores, tinham em sua capital um prédio destinado aos escritórios de funcionários do governo, o Tabularium , onde também eram arquivados os registros oficiais. O prédio, com três andares, possuía pequenas janelas destinadas à iluminação do interior e um corredor de 67 m de extensão que em nada fica a dever aos mais suntuosos prédios públicos modernos.


Tabularium

O Escritório no Mundo Medieval e Moderno

Na Idade Média o trabalho administrativo ficava restrito aos castelos dos senhores feudais e aos mosteiros. Nestes, monges copistas seguiam uma criteriosa rotina em que, em meio a orações, dedicavam-se à reprodução, com grande capricho, de livros manuscritos ricamente ilustrados.

Esse ofício era executado em um cômodo chamado scriptorium (local de escrita), origem da palavra que usamos hoje para designar um local de trabalho genérico. Em um scriptorium típico poderíamos encontrar, além das penas, tintas, folhas de papel e material para encadernação, também um relógio de sol e uma clepsidra (modelo de ampulheta contendo líquido), mostrando que, na Idade Média, o tempo de execução das tarefas já era rigidamente controlado.


Copistas

A disseminação da impressão por tipos móveis na Europa por Gutenberg acabou com o trabalho dos copistas, mas estendeu o modelo do trabalho em escritório a contadores, professores, administradores e qualquer outro profissional que usasse livros e precisasse tomar notas durante sua atividade. Os cidadãos de mais posses passaram a ter escritórios em casa (aos quais, normalmente, as crianças e mulheres não tinham acesso). Uma escrivaninha de madeira decorada com uma infinidade de gavetas e compartimentos, caneta-tinteiro, livros e papéis à profusão, um belo mapa e quadros na parede, um relógio à vista: tais eram alguns típicos itens do escritório do homem dos séculos XVII a XIX, denotando sua riqueza material e intelectual.


escritório madeira

O Impacto da Revolução Industrial

O primado do home office no mundo iluminista foi desafiado com a chegada da Era Industrial. As fábricas de produção seriada e a centralização das atividades burocráticas e comerciais das empresas que iam surgindo no século XIX exigiam o trabalho conjunto e simultâneo de centenas a milhares de pessoas.

Àquela altura, as revoluções em energia, transportes e comunicações permitiam reunir, com grande aumento de produtividade, os trabalhadores em um mesmo local físico. A otimização incluía a padronização de vestimentas, mobiliário, layout e o estabelecimento de regras de conduta, comunicação interna e externa e hierarquia. Ocupando andares inteiros nos imensos arranha-céus que surgiam nas metrópoles de todo o mundo, o escritório físico, com seu universo de escrivaninhas, papelada e gravatas, se tornou o paradigma da organização laboral.


escritório coletivo

O Impacto da Revolução Digital

Já em fins do século XX o paradigma do “grande escritório” estava sendo questionado. O inchaço das grandes metrópoles, os infindáveis engarrafamentos e a burocratização excessiva necessária ao controle das operações de centenas, às vezes milhares, de funcionários, reduziam a qualidade de vida e de trabalho, afetavam a produtividade e a capacidade de inovação. Mas foi a revolução nas comunicações e na eletrônica — a chamada Revolução Digital — a partir dos anos 1970, que começou a pavimentar o caminho para novas mudanças.

Nos anos 1980, futurólogos como Alvin Toffler previam a chegada da Era Pós-Industrial, em que pessoas em diferentes locais (até mesmo diferentes continentes) poderiam se comunicar e trocar documentos. A internet ganhou força na década seguinte, mostrando que tais visões eram mais do que meros devaneios. De repente, a possibilidade de descentralização de atividades e trabalho à distância tornou-se tecnologicamente viável.

À medida que documentos se tornavam arquivos digitais facilmente transmitidos em redes de comunicação óptica ou sem fio, ferramentas de videoconferência chegavam aos computadores em casa e no trabalho e os celulares tornavam a mobilidade pessoal perfeitamente compatível com a produtividade laboral, passava a ser possível desmobilizar os caros e criticados escritórios centralizados. Modelos com equipes descentralizadas, reunidas em ambientes menores e próximos de suas residências (reduzindo os tempos de deslocamento) começam a ser testados. É nessa nova realidade que surge uma nova e grande ideia: os escritórios virtuais.

Os Escritórios Virtuais e suas vantagens

Surgindo como uma alternativa inteligente para reduzir o custo com infraestrutura e pessoal, os escritórios virtuais se mostraram uma solução vantajosa para vários tipos de negócio: atividades executadas junto a clientes (vendedores e representantes comerciais) ou locais diversos (advogados, buffets); atividades de caráter temporário ou eventual (feiras, eventos, viagens de negócios); atividades sazonais (produtos ou serviços para Carnaval, Páscoa, Natal) e atividades que podem ser realizadas em casa, porém se beneficiam de um ambiente neutro e profissional com facilidades de escritório (telefone, impressora e copiadora, salas de reunião) disponíveis.

O surgimento dos e escritórios virtuais são melhor discutidos nesses outros artigos:

Escritórios Virtuais e Globalização (parte I): o abalo do "Escritório Real"

Escritórios Virtuais e Globalização (parte II): a força de uma nova ideia

Escritórios Virtuais e Globalização (parte III): um fenômeno mundial