Escritório Virtual – Boletim Janeiro 2026
Saneando o futuro
É praxe em nossos boletins de virada de ano fazer um balanço do ciclo que se encerra e tecer comentários sobre o período que se inicia. Contudo, lendo o informativo de janeiro de 2025 verifiquei que, de lá para cá, pouco mudou.
No plano internacional, os conflitos na Palestina e Ucrânia seguem sem solução à vista. O “xadrez de 4 jogadores” entre EUA, China, Rússia e Europa continua em empate técnico.
No Brasil, o Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia, que parecia definido, ainda não foi assinado (dizem que será neste mês de janeiro… Oxalá!). PIB e emprego seguem com bons números, mas sem empolgar. As quedas de braço entre Executivo, Legislativo e Judiciário, que se prolongaram durante todo o ano de 2025, prometem se estender em 2026. Em meio a essas novelas antigas e monótonas tivemos a minissérie “Tarifas e Sanções”, uma típica produção do governo Trump com roteiro confuso, atuações canhestras e final previsível. Veio, fez barulho, acabou, não mudou nada e já está esquecida.
2025 teve, assim, pouco o que destacar. Um novo papa e a primeira vitória de um filme brasileiro no Oscar foram flashes em um noticiário cinzento diluído pelas inevitáveis manchetes sobre políticos presos, violência policial e celebridades se envolvendo em polêmicas para continuarem célebres.
Mas há um assunto que vale a pena discutir.
Boas novas para a Baía de Guanabara
Ao longo de 2025 notícias positivas sobre a recuperação da Baía de Guanabara foram veiculadas na mídia tradicional e na internet. No final de dezembro, reportagem da TV Band exibiu imagens mostrando a melhoria dos espelhos d’água (não apenas da baía, mas da Lagoa Rodrigo de Freitas) fruto dos investimentos no saneamento e regularização do tratamento e lançamento de esgoto, assim como na recuperação dos manguezais, restingas e outros ecossistemas costeiros vitais para a biodiversidade local.
Em edição de maio deste ano, a revista Veja apresentava reportagem em que repórteres mergulharam na praia da Urca e compararam o que viram à situação em 2016, às vésperas das Olimpíadas do Rio. A conclusão foi que os sinais de recuperação eram visíveis, como o retorno da fauna marinha.
Os mesmo sinais foram confirmados por reportagem feita em setembro por repórteres da Globo nas praias do Flamengo e Botafogo. Cardumes de baiacus, siris, e até um cavalo-marinho foram observados. A melhoria nessas praias tem relação direta com a retomada da operação do Interceptor Oceânico, que coleta e envia o esgoto para o emissário submarino de Ipanema.
Os boletins do INEA (Instituto estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro) relativos a 2025 mostram que as praias do Flamengo e da Glória estiveram balneáveis em quase 100% do ano — em 2021, esse número foi menor do que 10%. A população foi rápida em perceber essa melhora, como pode ser visto pelo aumento da frequência de cariocas e turistas.
Para 2026 espera-se estender essa recuperação às praias da Ilha do Governador e de Ramos. Por seu lado, a Águas do Rio promete universalizar o tratamento de esgoto no entorno da baía até 2033. Se tudo der certo, em mais uma década teremos toda a Baía de Guanabara balneável.
