Escritório Virtual – Boletim Março 2026

Volta ao mundo


 

O cenário político internacional tem se mostrado instável pelas ações erráticas do governo norte-americano, pelos duradouros conflitos militares na Ucrânia e em Gaza, pelo comportamento passivo-agressivo da China e pela lentidão de resposta da União Europeia.

Em nosso informativo de janeiro no ano passado já havíamos aludido ao “Xadrez de 4 lados” e o desafio que representaria às nações que, como o Brasil, apostam no multilateralismo.

Há, portanto, que se elogiar a decisão do governo, depois de um período de certo isolacionismo, de “voltar ao mundo”: enquanto contornava a crise provocada pelas tarifas unilaterais impostas pelos EUA (agora julgadas ilegais pela sua própria Suprema Corte), o Brasil avançou na assinatura do Acordo Mercosul – União Europeia (que este mês deve ser ratificado pelo Congresso em Brasília) e, mais recentemente, estabeleceu parceria com a Índia.

De fato não faz sentido o Brasil (que tem importantes trocas comerciais com EUA, UE e China) não ter um relacionamento relevante com a Índia – país mais populoso do mundo, 4ª maior economia e parceiro-fundador dos BRICS. Com desafios socioeconômicos similares aos nossos, a Índia se destaca em setores de tecnologia e oferece um mercado consumidor quase intocado por nossos exportadores. A abertura de mais essa porta comercial vai ao encontro da estratégia de investir em um mundo multipolar e ampliar nossa resiliência comercial.

Em paralelo, vemos o país avançar (ou, talvez seja mais exato dizer, recuperar) seu soft power internacional. A segunda indicação seguida ao Oscar de um filme brasileiro (já vencedor de outros prêmios internacionais relevantes), a volta de turistas estrangeiros ao nosso Carnaval e o prêmio Grammy dado ao disco “Caetano e Bethânia ao vivo” mostram que nossa cultura pode voltar a ser influente no resto do mundo – desde que nós mesmos a valorizemos.

2026-03 Esquiador brasileiro

A grande surpresa, contudo, foi nossa tão inesperada quanto exitosa participação nas Olimpíadas de Inverno 2026. Sob o tradicional e inclemente calor de verão, os brasileiros puderam se refrescar assistindo nossos atletas deslizarem sobre a neve e o gelo de Milão e das montanhas de Cortina d’Ampezzo em esportes impossíveis de serem praticados em solo tupiniquim. Com 14 atletas e marcas inéditas, o destaque vai para Lucas Pinheiro – o jovem que, nascido na Noruega, escolheu o Brasil para disputar o slalom gigante, agigantou o país com uma medalha de ouro até poucos meses inimaginável e fez nossa bandeira tremular nas montanhas nevadas da Itália.